Condicionada a gerar resultados e treinada a cumprir metas, cá estou temporariamente desligada ou fora da área de serviço, alumbrada feito a Macabéa com tanto tempo livre de ter prazer comigo.
Cercada de livros e discos me sinto abastecida pra esse retiro espiritual forçado. Aliás, já ficou claro pra mim que o mundo há tempos entrou em colapso, inclusive a humanidade revela indícios desse quadro muito antes do vírus.
Pois é, infelizmente, colaboramos pra isso. De toda forma, com os templos fechados é aconselhável que repita do seu canto isolado: minha culpa, minha culpa, minha máxima culpa.
Castigo piorado pra quem votou no Bolsonaro, claro.
Afinal, é provável que esse povo nunca mais consiga botar a cabeça no travesseiro sossegado, constantemente assombrado pela voz da consciência que repete essa ladainha com a mesma frequência do número de infectados: minha culpa, minha culpa, minha máxima culpa.
Representado por um libélula deslumbrada, o Brasil dispara no ranking mundial da criação de memes, Literatura Fantástica na estante ficou escassa, a onda agora é distopia em tempo real.
Nada mal pra quem gritou mito e fez gesto de arma com as mãos. Bem lavadas ou não, vocês afundaram a nação sem máscara e piedade.
O aviso era claro: ELE NÃO. Agora aguenta calado, engole o grito, chora o mito consagrado, lava bem as mãos com água e sabão, junta elas em oração e reza pra não morrer infectado ou pelo menos pra sobreviver a próxima eleição.
Fica a lição, pela dor, infelizmente. Teimosia besta dessa gente de só aprender as coisas assim.
Ivana Chaves
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