há dias nos quais é preciso viver pra dentro.
do mundo,
da casa,
do quarto,
das horas,
da gente.
pro silêncio ser morada segura.
pras palavras colonizarem.
pra esperança não desviver.
é nestes dias que minha voz mora em nomes bonitos.
indispensáveis.
mãe, poesia, manga, livro, amor, água gelada, pipoca, visita, esperança, cura, carambola, filha, café, verdade, alma, saudade, carinho, crença, limão...
minha voz mora no que abranda os dias.
é uma escolha.
uma sentença.
um destino.
é enxergar dentro de si um caminho. uma estrada que começa com o som do saxofone do vizinho na varanda. ou na gargalhada da mulher já cedo. ou na velhinha de estimação dando um sorriso antes de o sol acordar.
eu moro nas palavras.
não só minha voz.
eu.
inteiro.
me aumento delas.
me ergo por elas.
por cada uma proferida.
quando mais teço, quanto mais quebro o silêncio, mais pra dentro de mim eu vejo.
eu vivo.

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