decidi esquecer: as prateleiras vazias, as ruas sem ninguém e as avenidas com alguéns. os shoppings centers de portas fechadas, as escolas abandonadas e os pedidos de um político decente por ajuda para um povo mouco.
vou me alimentar de esperança. da esperança ingênua de que em breve, muito em breve, espero, moraremos em dias melhores. pois é isso a esperança. uma ingenuidade. e é esse o carregamento do qual preciso. que - julgo - todos precisamos. agora. para ontem. anteontem. antes de tudo isso começar. até quando acabar. ou mesmo depois do fim.
um carregamento de esperança em toda a parte.
para toda as gentes.
de todas as cores.
de todos os continentes.
uma pandemia de esperança. não mais essa pandemia do medo. do invisível onipresente. da correria ao supermercado para tudo comprar para si e nada deixar para o outro, já que o importante sou sempre e apenas eu e não o outro também.
declaro de forma irrevogável que desisto da pandemia do desespero por todos os esterilizantes e todas as máscaras e todas as luvas e tudo o mais quando, de fato, a vida é tudo o menos, até (ou principalmente) nesta guerra contra o invisível onipresente.
bastam água e sabão.
desejo mesmo - como uma decisão igualmente irrevogável - é um contágio planetário da vontade de continuar. do sonho de ser semente da boa coisa. e sonhos são o que senão filhos da esperança?
tenho repetido isso dentro de mim. sonhos são filhos da esperança. sonhos são filhos da esperança. sonos são filhos da esperança. tal qual uma oração. tal qual uma fé. ou várias, uma para cada pedaço meu, de ontem, hoje e amanhã, se houver, vai haver, diante de toda essa incerteza.
minha esperança eu quero que seja que nem o esperanto. sim, o idioma de gramática simples e regular. uma tentativa de universalizar o futuro. todos precisamos dele, do futuro, nem que seja para a morte.
mas aqui, de dentro de mim, ele, o futuro, é uma gérbera sertaneja. um margaridão. um girassol. a flor que eu quiser. uma sentença para a vida. e a vida nasce da esperança. é irmã do sonho, ela.

Emocionante! Estamos todos juntos nessa quarenta, que a pandemia de consciência se multiplique para se tornar uma pandemia de saúde.
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